Fabricante de agrotóxicos é condenada a pagar mais de R$ 1 bilhão a americano que teve câncer

A companhia Monsanto, gigante da indústria química e do agronegócio, foi condenada pela Justiça americana a pagar US$ 289 milhões (R$ 1,1 bilhão) a um homem com câncer.

O jardineiro Dewayne Johnson afirma que sua doença foi causado por herbicidas da empresa.

Em um caso emblemático, um tribunal do juri na Califórnia considerou que a Monsanto sabia que seus herbicidas "Roundup" e "RangerPro", que contém glifosato, eram perigosos e falhou em alertar os consumidores.

O processo foi o primeiro alegando que agrotóxicos com glifosato causam câncer a ir a julgamento.

A Monsanto nega que a substância esteja ligada à doença e afirma que vai recorrer da decisão.
O processo é um de 5 mil casos similares em andamento nos EUA.

Johnson foi diagnosticado com um linfoma em 2014. Seus advogados dizem que ele usava o agrotóxico "Ranger Pro", da Monsanto, em seu trabalho em uma escola na Califórnia.

A decisão na Estado possivelmente vai levar a outras centenas de processos contra a Monsanto, que foi recentemente comprada pela alemã Bayer AG.

A controvérsia em relação ao glifosato está longe do fim
Análise de James Cook, correspondente da BBC na América do Norte:

As consequências dessa decisão serão sentidas muito além da sede da Monsanto, no Estado americano de Missouri.

O glifosato é o herbicida mais comum do mundo e a discussão científica sobre sua segurança está longe de estar concluída.

Em 2015, a Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer, parte da Organização Mundial de Saúde, concluiu que o glifosato era "provavelmente cancerígeno"para humanos.

No entanto, a EPA (agência ambiental americana) continua a insistir que o glifosato é seguro quando usado com cuidado.

Militantes questionam como a agência chegou a essa conclusão e afirmam que houve involvimento da indústria da decisão do órgão regulatório.

Alguns democratas chegaram a pedir que o Departamento de Justiça investigue um suposto conluio entre funcionário do governo e a Monsanto.

Na Califórnia, onde um juiz recentemente decidiu que o café tratado com agrotóxicos precisa conter um alerta sobre câncer, o agronegócio entrou na Justiça para evitar esse tipo de alerta para o glifosato, apesar do Estado listar a substância entre os produtos químicos conhecidos por causar câncer.

Na Europa a disputa em torno do glifosato também tem sido feroz. O presidente francês Emmanuel Macron está tentanto banir a substância apesar da resistência do Legislativo e do fato de que a Comissão Europeia renovou por mais 5 anos a licensa para que o herbicida possa ser usado na União Europeia.( Fonte: G1)

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