Lula critica “ódio disseminado” em protestos contra sua caravana

Em meio a uma caravana por cidades do Sul do país, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se deparado tanto com manifestações a seu favor quanto contra – algo que ele considera natural. No entanto, ele se disse surpreso com a escalada de ódio com a qual se deparou em algumas cidades no Rio Grande do Sul.

A começar pelos protestos que presenciou em Bagé, primeira cidade da caravana que faz pelo Estado. “A última vez que fui a Bagé fizemos um ato com 40 mil pessoas de criação da Unipampa”, lembrou, em entrevista ao programa Esfera Pública, nesta quinta-feira, em São Borja – onde ele também reiterou sua inocência. “Lamentavelmente, o MP foi ao reitor e fez uma série de imposições, ameaças, ferindo a autonomia da universidade e criou um pânico quando chegamos lá.”

“Eu não esperava este clima. Não esperava que esta região tivesse alguém que fosse dono da região que não permitisse a visita de dois ex-presidentes da República, dois ex-governadores e sete deputados federais”, reconheceu.

Situações semelhantes de confronto ocorreram nos dias seguintes, em Santa Maria e São Borja. Lula reclamou da agressividade nos protestos contra ele. “A vida inteira tive movimentos contra, na vida sindical, no PT, quase a imprensa toda. O que achei afronta é as pessoas se dotarem do direito de achar que você não possa entrar numa cidade. Ou seja, meia dúzia de fazendeiros junto com jovens do agronegócio acharem que podem impedir dois ex-presidentes de entrarem na cidade”, criticou.


“Rio Grande do Sul está muito conservador”

Para Lula, o acirramento nos embates políticos se acentuou há cinco anos: “O ódio está disseminado no país desde 2013 e muito mais depois da campanha do Aécio contra a Dilma”. Sobre o Estado, o ex-presidente viu um crescimento da direita: “Acho que o Rio Grande do Sul hoje está muito conservador”.

Discursos de ódio e a falta de lideranças nos partidos, segundo Lula, alimentaram figuras como o deputado federal e pré-candidato à presidência Jair Bolsonaro. Para o ex-presidente “a política de ódio gerada pelos tucanos gerou o Bolsonaro”.

Lembrando as eleições de 1989, questionou: “Quem é o grande quadro da direita? O Doria foi eleito em São Paulo, apareceu um monte de puxa-saco. O que ele é hoje? O que ele fez? Está fazendo como tucano faz: ganha a prefeitura e percebe que é difícil governar e chispa. Tenta outro cargo”, criticou. “Quisera Deus que todos os partidos tivessem uma grande liderança. O defeito é ninguém ter uma liderança”.

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