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domingo, 3 de dezembro de 2017

Consumo de cerveja deve recuar pelo 3º ano seguido em 2017, mas faturamento do setor cresce

Apesar da recuperação da economia, o brasileiro ainda não retomou o padrão de consumo de antes da recessão e, em se tratando de cerveja, a tendência é continuar bebendo menos, porém gastando mais para adquirir um produto melhor, segundo pesquisas da Euromonitor e da Nielsen, que monitoram o mercado de bebidas.

As vendas de cerveja em volume no país continuam em queda e devem recuar pelo 3º ano seguido em 2017. Pelos dados da Nielsen, a queda no acumulado no ano, até setembro, é de 2%, na comparação com o mesmo período do ano passado. A Euromonitor ainda não revisou a sua projeção de queda de 0,6% no ano, mas estima recuo ao redor de 1%.

A Ambev, a maior fabricante de cerveja e refrigerantes da América Latina, acumula nos 9 primeiros meses do ano queda de 1,9% no volume de vendas no Brasil. As outras gigantes do mercado, Heineken e o Grupo Petrópolis, não divulgam números de vendas no país.

Segundo os dados da Euromonitor, o consumo per capita de cerveja no Brasil caiu em 4 anos de uma média de 67,8 litros por cada brasileiro para menos de 60,7 litros ao ano.

"A retomada da economia está acontecendo, mas o patamar de desemprego ainda é muito alto e ainda vai levar mais um tempo para impactar de fato nos produtos de consumo", afirma Daniel Souza, diretor de bebidas da Nielsen.

A crise econômica, no entanto, não é apontada como a única explicação, uma vez que a queda nas vendas de cerveja foi menor do que a observada em outros tipos de bebida alcóolica como whisky e vodca, e também nos refrigerantes e sucos prontos.
Segundo os dados do IBGE, produção da indústria de bebidas acumula queda de 0,6% no ano, até setembro, ao passo que a indústria geral cresceu 1,6%.

Faturamento cresce mesmo com volume menor
O aumento do consumo de cervejas especiais tem garantido um aumento da receita do setor, apesar da queda do volume geral de vendas. Pelos dados da Nielsen, o faturamento do setor acumula alta de 1,2% no acumulado até setembro, na comparação anual. Já a Euromonitor projeta uma alta real (descontada a inflação) de 1,4% na receita anual, que deverá passar de R$ 130 bilhões em vendas em 2017.

Na Ambev, a receita líquida cresceu 2,4% no acumulado no ano até setembro. "A 'premiunização” é uma tendência que deve continuar promovendo a categoria de cerveja", destacou a companhia no seu balanço, informando que os volumes de venda das marcas Budweiser, Stella Artois e Corona cresceu "dois dígitos" no 3º trimestre.

A alta na receita também refletiu, segundo a companhia, ajustes de preços no 3º trimestre, diferentemente do ano anterior, quando estes foram feitos no 4º trimestre.

“Para o resto do ano, seguimos cautelosamente otimistas com o mercado brasileiro de cerveja e já conseguimos ver sinais de melhora no cenário macroeconômico, em função do aumento da renda disponível dos consumidores e da redução do desemprego”, disse ao comentar os resultados o vice-presidente financeiro e de relações com investidores da Ambev. (Fonte: G1)

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